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terça-feira, 28 de junho de 2011

Como trabalhar a noção de tempo em História

Explicar o que é o tempo não é tarefa simples. No entanto, todos temos uma concepção a respeito do assunto. Inclusive as crianças.

À sua maneira, elas lidam com as questões que envolvem passado, presente e futuro. Para que as turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental compreendam os fatos, do ponto de vista histórico, é fundamental que a escola amplie a noção de tempo cronológico e explicite as implicações da passagem dos anos.

Para desenvolver essas aprendizagens, os professores precisam trabalhar permanentemente três situações, sempre atreladas aos conteúdos trabalhados em sala. Elas têm como objetivo ampliar a noção de anterioridade e posterioridade, de maneira que o aluno reconheça a história como um processo.

Leitura de mapas históricos

Serve para que a turma observe como os aspectos geográficos - locais e globais - são modificados com os eventos históricos. O uso de mapas de diferentes períodos e a possibilidade de compará-los criticamente auxilia na compreensão de conceitos como mudança e permanência.

O crescimento das cidades em função da expansão econômica ou a influência de acontecimentos políticos para os fluxos migratórios, por exemplo, são questões que podem ser trabalhadas com essa atividade (leia a atividade). "Não se trata apenas de visualizar um mapa antigo, mas colocá-lo também ao lado de outros, considerando o contexto histórico de cada momento", explica Jaime Baratz, mestre m Educação e docente da Universidade do Estado da Bahia (Uneb).

Também é importante estudar o cenário em que um mapa foi feito e compará-lo com outros do mesmo período buscando perceber que o conceito de verdade única em História não existe.

Para entender melhor o crescimento de São Paulo, Cristiane Casquet de Souza Elias, professora do 4º ano do Colégio Oswald de Andrade, na capital paulista, propôs aos alunos estudar diversos mapas do estado, organizados entre 1930 e 1970. "Assim, eles compreenderam melhor as temáticas abordadas nos textos estudados que falavam sobre a expansão geográfica da região no período", explica. Durante esse processo, é importante discutir constantemente com o grupo o que se manteve e o que foi alterado, na paisagem urbana.

Análise de linha do tempo

Atividade em que os estudantes têm a oportunidade de estudar (e elaborar) esse tipo de material usando determinados recortes históricos (escolhidos pelo professor, de acordo com o conteúdo trabalhado em sala). Fazendo isso, eles têm a possibilidade de construir noções temporais básicas para se localizar na história .
"É um recurso útil também para analisar como os fatos estudados estão localizados no contexto de uma época e também para perceber e avaliar quais outros eventos ocorriam simultaneamente", diz Maria Aparecida Bergamaschi, docente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Com a proposta de encaminhar a turma do 5º ano a observar como os acontecimentos locais dialogam com a História do Brasil, Aléxia Pádua Franco, da Escola de Educação Básica (Eseba) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), orientou a construção de uma linha do tempo para sobrepor os dois cenários. "Os alunos perceberam as transformações e como um acontecimento pode influenciar outro. Além disso, viram que o crescimento de uma cidade é um processo dinâmico e sofre inúmeras influências externas", afirma Maria Aparecida.
E as crianças ainda compreenderam que a linha é um instrumento que apresenta uma síntese dos acontecimentos de determinado período e que elas mesmas podem definir qual época enfocar.

Identificação de marcadores temporais

Situação que permite ao grupo observar, lendo e analisando textos históricos, como o tempo é organizado e expresso. É importante chamar a atenção não apenas para datas específicas. Expressões como "depois disso" (que indica uma sucessão de fatos), "enquanto isso" (que aponta a duração ou a sincronia entre os eventos) e "ao mesmo tempo em que" (que destaca sincronia e simultaneidade) são alguns exemplos.
Durante a leitura (coletiva ou individual) você deve fazer perguntas para estimular a reflexão: "Esse evento ocorre em que momento?" e "Existe alguma relação entre os fatos citados? Qual?" (leia a atividade).
Para explorar a história da cidade de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, Vanilde Cássia dos Santos, professora do 5º ano da EM Carlos Alberto Lopes, organizou leituras coletivas. "Os textos sobre a história local apresentavam referências à nacional, com datas e expressões. Por isso, ao longo da leitura, eu orientava pausas para a turma fazer a conexão entre os temas, recordando o que estava ocorrendo no país naquele período", diz.
Baratz enfatiza que nem todos os momentos de leitura devem ser esmiuçados. "Inicialmente, é importante fazer as crianças atentarem para cada marcação. Mas, ao longo do estudo dos conteúdos, os marcadores podem ser retomados com perguntas mais amplas, que exijam que a turma interprete o texto e relacione-o com fatos revelados em outros materiais", explica.

Quer saber mais?

tel. (34) 3218-2905
Jaime Baratz: jbaratz@terra.com.br
BIBLIOGRAFIA
A História
, François Dosse, 325 págs., Ed. Edusc, tel. (14) 2107-7252, 47,30 reais
Construir e Ensinar - As Ciências Sociais e a História, Mario Carretero, 138 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444 (edição esgotada)
Ensino da História e Memória Coletiva, Mario Carretero, Alberto Rosa, Maria Fernanda González e colaboradores, 294 págs., Ed. Artmed, 49 reais

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